O Bradesco anunciou nesta sexta-feira que vai consolidar todos seus negócios na área de saúde na Odontoprev, criando a Bradsaúde. A companhia será listada no Novo Mercado da B3 em uma operação conhecida como “IPO reverso”.
A notícia anima as ações das duas empresas envolvidas o negócio na B3 nesta sexta-feira. Perto das 15h20, o papel preferencial do Bradesco (BBDC4) avançava 2,29%, a R$ 21,46, enquanto o papel ordinário da Odontoprev (ODPV3) disparava 12,45% – maior alta da B3 no dia até o horário.
A seguir, entenda a operação entre Bradesco e Odontoprev, e quais as perspectivas de analistas para a Bradsaúde como empresa listada na Bolsa:
O que é IPO reverso?
“IPO reverso” é o nome popular de uma operação que consiste na abertura de capital de uma empresa por meio da junção a uma companhia que já tem capital aberto. Ou seja, não se trata de uma oferta pública inicial (IPO) tradicional, na qual a empresa de capital fechado busca recursos junto ao mercado para ir à Bolsa. Mas sim de uma operação reversa, na qual ela aproveita a estrutura de uma empresa que já tem capital aberto e se lança no mercado.
Para criar a Bradsaúde, o Bradesco vai transferir toda a sua operação de saúde para a Odontoprev, empresa da área odontológica controlada pelo banco, gerando um conglomerado com receita anual de R$ 52 bilhões, lucro de R$ 3,6 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários, cerca de 3.600 leitos de hospitais e 35 clínicas, considerando os resultados consolidados de 2025.
“Será o maior IPO reverso já registrado no País, e o maior negócio envolvendo um banco e a área de saúde na América Latina dos últimos 5 anos.”
O fechamento da transação é esperado para junho, por ainda estar sujeita à aprovação regulatória e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O que esperar para as ações da Bradsaúde?
Segundo o presidente da Bradesco Saúde e Mediservice, Carlos Marinelli, a Bradsaúde chegará ao mercado com 12% de participação (market share) de planos de saúde e 28,3% em planos odontológicos, líder nos dois segmentos.
Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fabio Lemos, a consolidação do Bradesco na área de saúde é um movimento estrutural que reforça a verticalização do setor.
“A nova holding reúne plano, hospital, diagnóstico e clínicas sob controle de um banco com forte capacidade financeira, o que tende a aumentar eficiência e poder de negociação”, avalia.
Lemos destaca que o setor passa agora a competir não só em eficiência, mas também em capital. Segundo ele, o diferencial da mudança é a verticalização completa de uma empresa de saúde com balanço de banco por trás, o que aumenta o poder de barganha, controle de custos e capacidade de atravessar ciclos da Bradsaúde.
O Safra avalia que, com a operação, a Odontoprev vai se tornar o ponto de entrada listado para a plataforma de saúde mais ampla do banco, que possui uma base de lucros maior e uma posição de capital sólida.
Além disso, a maior diversificação para outros segmentos de saúde, com potenciais maiores oportunidades de crescimento e uma capitalização de mercado de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões, é positiva para os acionistas da Odontoprev.
Qualicorp deve sentir o impacto
Quem mais pode perder com o negócio, segundo analistas, é a Qualicorp (QUAL3), que acumula a perda mais acentuada da B3 nesta tarde de sexta-feira, acima dos 14%.
Além da concorrência da nova companhia, a empresa reportou ontem prejuízo de R$ 10,5 milhões entre outubro e dezembro de 2025, revertendo lucro de R$ 17,9 milhões registrado em igual período de 2024.
Na visão do Citi, a empresa entregou resultados fracos e “sem muito o que comemorar neste momento”.
(Colaborou Cecília Mayrink)
Por InvestTalk







